Trabalho para detentos

Desde 2008 o Grupo Risotolândia, especializado em refeições coletivas, emprega uma mão de obra pouco valorizada no Brasil: a presidiária. O projeto Liberdade Construída - realizado em parceria com a Secretária da Justiça e Cidadania e também com o Departamento Penitenciário Nacional (SEJU/DEPEN) - tem como objetivo diminuir o contato dos presos com o crime, melhorar seu comportamento dentro da penitenciária, além de promover a ressocialização, preparando-os para retornar ao mercado de trabalho. 

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Carlos Humberto de Souza, Diretor Presidente do Grupo Risotolândia, explica que para os detentos essa é uma oportunidade de se capacitar e estar cada vez mais perto da vida em liberdade. “Isso porque além de receberem 75% do salário mínimo nacional, numa conta com acesso da família, a pena diminui 1 dia a cada 3 dias trabalhados”. Os detentos não são empregados em regime CLT. 

Desde o começo da iniciativa, mais de 1900 presos trabalharam em vários setores da empresa. Desse total, 29 foram contratados após o cumprimento da pena e, para os que desejam seguir em outra área, a empresa emite uma carta de boa conduta como referência. “É uma iniciativa que nos orgulha e nos motiva a continuar cada vez mais fortes com este projeto, ainda mais quando vemos a gravidade da crise que as penitenciárias brasileiras estão vivendo com tantas rebeliões. O trabalho ocupa os detentos e traz novas perspectivas de vida para eles e suas famílias”, complementa Souza. 

Como funciona?

O detento que desejar se candidatar às vagas deve cumprir pena em regime semiaberto, ter histórico de bom comportamento e procurar diretamente a Colônia Penal Agroindustrial do Paraná, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba. Ele passará por um processo de avaliação psicológica e social e, se aprovado, é recomendado para trabalhar na Risotolândia, podendo usufruir de benefícios como os demais colaboradores: serviço médico no ambulatório, acesso à biblioteca e capela, almoço no restaurante, lanchonete etc. O transporte da penitenciária ao trabalho e o retorno ao presídio é feito em micro-ônibus providenciado pela empresa. No ambiente de trabalho usam uniformes iguais aos demais colaboradores, assim como os EPI’s. Recebem chaves de armário e fazem treinamentos específicos para as áreas em que atuam.  O desacato às regras estipuladas pelo DEPEN, assim como o encerramento do período de reclusão, são fatores que encerram o contrato com a empresa. E a grande rotatividade deve-se ao fato de que os apenados conquistam a liberdade.

O reconhecimento do programa veio através de muitos prêmios, entre eles o “Prêmio Ser Humano”, da Associação Brasileira de Recursos Humanos e o “Selo ODM”, entregue pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná.